Existência é a nuvem, em seu tênue vagar, Cheia de mistérios que de tudo se ri, Em sua brisa, o efêmero anúncio das coisas Que se desvelam no instante vivido. Da alegria ao trágico, basta um momento. O grito de espanto diante do desencanto Soa em sua melodia como uma canção perdida, Numa voz que se emudece ante o consumado. Assim, como a nuvem, a existência se expira. Num horizonte qualquer, o último abandono, De um desejo relegado à própria sina Eis o paradoxo que em tudo nos fascina.
1 de março de 2026