Soneto do Encanto

Vejo nos teus olhos O estranho calor dos meus íntimos desejos… Olho os teus cabelos E sinto neles a volúpia do teu amor. E das tuas entranhas, brota amiúde, O doce-amargo perfume dos teus beijos E aí meu corpo se desmancha, À meiga ternura dos teus encantos… E assim, cada imagem tua, oh mulher… Seduz-me numa saudade sem fim, E minha alma inquieta permanece, Querendo amar-te tão-somente. Amar-te sem medo, sem temor, Ao sabor de um instante qualquer, Com toda paixão de uma grande espera. Entregar-me todo a teus olhos, À paz ardente do teu corpo em brasa, Inspirando versos de uma canção sem fim.

Enigma

Escuta! Que fazes tu, Neste deserto insano, Ante o horizonte incerto… De um presente fugaz, Numa ausência sem fim… Dize-me, que fazes tu? Acaso buscas no errante caminho, O porto dos teus sonhos solitários? Oh! Alma inquieta… Que sofre o desatino das coisas Dize-me, que fazes tu? Ah!Quem dera fosse tudo presságio; Tu e a vida num novelo desfeito. E, nas cinzas do tempo, O eternamente vivido. Mas chora, chora, chora… Afinal, que fazes tu? Não, não. Não digas, não.

Soneto da Espera

Na meiga presença de sua imagem singela, Minha alma vagueia, calma e incerta. Meus passos são como a noite sem lua, Estonteantes se lançam, sem beira, nem eira. No suave perfume de seu olhar sereno, Minha alma se cega, oculta e obscura, Meus olhos padecem, como dia sem lua, Não vê, sente, tateando apenas caminha. No sorriso tristonho de sua face macia, Minha alma se cala, pensante e sofrida, De sonhos distantes, na ausência sentida. Presença e imagem de terna lembrança, Minha alma se quebra, perdida se fita, Na paz percebida de uma doce espera.

A Matriarca mostra força!!!

Uma das fontes das Crônicas da “Casa da Mãe Joana” é o “profeta anônimo”. Ele é uma espécie de guru às avessas. A iluminação dele não vem do céu nem dos espíritos. Não usa as cartas do baralho para fazer seus prognósticos. Prefere usar o jogo do Xadrez. O movimento e a posição das pedras, para ele, oferecem sugestivos dados para diversas leituras intuitivas e logísticas. As leituras são realizadas sem paixões. Embora possa ser acusado de estar a serviços partidários ou de traição, longe disso. Na verdade, ele gosta de observar como os fatos se desenrolam ao seu derredor. Com base numa formação humanística, dotada de várias referências acadêmicas, procura analisar o movimento das peças numa jogada de Xadrez. O “profeta anônimo” tem aprendido ser o jogo de Xadrez também símbolo do Poder Político. Sendo a Matriarca responsável pela “Casa da Mãe Joana”, cabe-lhe a árdua tarefa da administração dos súditos do “Rei”. Qualquer cochilada, a Casa pode ir à leilão. Para administrá-la bem e manter seu chicote armado, sabe que o “Rei”, primeiramente, tem de ser temido e, depois, amado. Trata-se de atribuições difíceis de serem executadas. Mas é o preço que se paga. O grande desafio administrativo é o da localização dela. Ela está fixada num ponto perdido do hemisfério sul do planeta, onde não há pecado capital e a terra faz a curva. Nela, a bota, de cano longo, de vez em quando, gosta de pisar alto e estremecer o chão, com chicote ou chibata à mão, de acordo com humor e ocasião. Quando é interessante, os herdeiros dos donos do Poder, inventam o combate à corrupção; quando não o é, reativam aquilo que já estava no sangue dos colonizadores desde o “imenso Império colonial”. Assim, quem embarcou na canoa do famigerado “combate à corrupção” fica na contramão da História, sujeito a ver o “sol nascer quadrado”, ou se sentindo um eterno estranho. Nesse ambiente, quando a onda do combate à corrupção sai de moda, a deusa Themis” tem o sabor de Poder. Segue a velha formula “aos amigos, os benefícios da lei; aos inimigos, a dureza da lei”. Assim, ser justo é estar no Trono e decidir, custe o que custar. Súditos devem abaixar a cabeça. Essa prática era bem conhecida na política do “pão e circo” da era romana  nos tempos  do Imperador Nero. Ademais, assim quem tem poder, manda; quem tem juízo, obedece. A Casa da “Mae Joana” tem adotado essa regra de ouro. Vale a pena lembrar a lição legada de Richard  Sennett. Segundo ele, em sua obra de 1977, “O Fim do Homem Público”, as lideranças são afetadas pela ausência de compromisso e de integridade dos líderes e autoridades responsáveis pela administração do Poder Púbico. Na atual sociedade, as pessoas são motivadas mais a seguir seus desejos carnais do que praticar o bem comum. Sennett observa também que, se de um lado, a excessiva exposição do homem público favorece sua ascensão e manutenção no jogo do Poder, por outro, torna-o  presa vulnerável do linchamento e toda sorte de humilhação. Em suma, quando essa tendencia negativa se efetiva, há especialista até para encontrar cisco nos olhos, a distância,  de quem está na mira da sociedade. Sennett chama isso de “as tiranias da intimidade”. Bem, na última crônica de 2023,  o “profeta anônimo” disse: “Diante dessa percepção,  o ‘profeta anônimo’ acredita que o grande golpe da Matriarca sobre o esquema de esclarecimento, responsabilização e punição deva acontecer entre festas natalinas e euforias carnavalescas. Caso acorra, toda expectativa de mudanças na Casa da Mãe Joana virará pó de traque, sob o manto sagrado da deusa “Themis”. Enfim, hoje, a Matriarca, com o Superbispo no comando do subtrono, está bem à vontade. Mas o jogo continua e o “profeta anônimo”, por enquanto, sem previsão. Rubens Galdino da Silva – Professor e jornalista (MTB/SP 32.616)

Casa da Mãe Joana e novos tempos

A casa da Mãe Joana é uma casa muito engraçada. Tem de tudo. A família da Matriarca é diversificada. Não é de relação consanguínea. A Matriarca é uma balzaquiana estéril, que adota filhos de acordo com as conveniências e necessidades. Pode-se dizer que é uma família de agregados. O curioso é que, de vez em quando, há conflitos entre os filhos. Os mais achegados da mãe balzaquiana costumam se valer do posto e exagerar nos privilégios. Claro que não são todos. Esta história é longa. Por ser uma família de agregados, escolhidos a dedo, a Matriarca recruta os mais influentes no meio social. Geralmente, são aqueles que gozam de prestígio. Ocupam cargos considerados estratégicos na sociedade. Mas esse perfil não basta à Matriarca. Usa-se, na escolha, algo mais. Ela sabe que subordinado precisa ser vocacionado. Almas questionadoras, por mais inteligentes que sejam, não é uma boa escolha. Não costumam ser serviçais. São candidatas natas à rebeldia. Não são nada domesticáveis. Os domesticáveis gostam de ração de qualidade e, quase sempre, locupletam-se. A obesidade logo se escancara denunciando o apetite de seus corpos e mentes. De um tempo pra cá, os exageros tornaram-se muito escancarados. Ganhou espaço na mídia e redes sociais. Claro, tudo isso ocorreu a contragosto dos filhos seletos da Matriarca. Talvez tenham exagerados tanto nos privilégios e seus apetrechos, que o esquema de intimidação e cooptação não conseguiu conter o grito abafado de socorro. Encurralados pelas ameaças, restavam-lhes os sussurros. Os peritos, na prática das ameaças, costumam se valer do manto sagrado das instituições basilares da cidadania. O discurso do Poder costuma ter eco sedutor.  Em nome da ordem e progresso, buscam-se resultados. Nesse contexto, vale a formula de que os “fins justificam os maus”. Sabem bem fazer uso dessa lição de Maquiavel. Por outro lado, como a Matriarca perdeu a rainha, pedra angular do rei no jogo de Xadrez, a situação está, paulatinamente, se complicando. A cabeça de um dos bispos está a prêmio. A sobrevivência dela depende da uma sacada de mestre da Matriarca. Está difícil acontecer, mas não se pode descartar. Se antes os trunfos estavam nas mãos dela, hoje, estão com os filhos excluídos de seus afetos, estratégias e táticas. Resta à Matriarca contar com um cochilo deles. Como ensina um sábio ditado popular: “Uma boa pitada de modéstia no agir e no portar-se é como canja de galinha, não faz mal a ninguém”. Enfim, como bem ensina a arte do Xadrez: o jogo só termina quando o vitorioso pega, sem pedir licença, o rei (pedra) do adversário, com aquele sorriso educado, elegante e irônico, vagarosamente o declina sobre o tabuleiro. Quem viver, verá! Rubens Galdino da Silva – Jornalista (MTB/SP 32.616) e professor 

“Casa da Mãe Joana”, objeto de cobiça

A ideia de alguém capaz de viver sem cobiça seria algo inimaginável. Seria o mesmo que eliminar o desejo da condição humana. Outros seres viventes movem-se por instinto. Nada fazem senão aquilo que está biologicamente programado. No humano, o desejo é um elemento essencialmente vinculado às pulsões de vida e morte. Situa entre demandas fisiológicas e psíquicas. Embora a experiência dê fortes indícios, é difícil aceitar que mesmo o cão domesticado age em função de desejos. Nesse sentindo, o desejo transcende às necessidades básicas de viver. Como expressão da psiquê, move-se do comportamento socialmente aceitável às raias do absurdo. Atribui-se ao dramaturgo e poeta romano, Públio Terêncio Afro, a frase: “Nada do que é humano me é estranho”. Trata-se de uma frase intrigante, que faz de Calígula a Hitler, no campo da moral e da ética, qualquer atitude é humanamente possível. Numa interpretação extensiva, o ser humano é capaz de praticar algo inimaginável. Está potencialmente apto a qualquer ator de terror e horror.   Para domá-lo, criamos instrumentos repressivos e punitivos, que no rastro das narrativas religiosas e moralistas procuram tornar a convivência humana possível. Basicamente, há duas teorias que tentam iluminar nossa compreensão humana. A primeira é a de Hobbes, que concebe o ser humano como essencialmente egoísta. Portanto, nasce mau e desatinado, se necessário, a toda prática de maldade para satisfazer a sua vontade de poder. A maldade seria congênita, incurável.  Assim, somente a certeza da cruel punição poderia, em tese, remediar o egoísmo desenfreado. A segunda é a de Rousseau, que, numa perspectiva romântica, afirma que o homem nasce bom e a sociedade corrompe. Desse modo, a bondade seria a essência da própria condição humana. A maldade seria negação dela, motivada pelas circunstâncias históricas e sociais. Confesso que tenho muita dificuldade de me situar nesse debate. Ora, vejo que Hobbes está coberto de razão; ora, Rousseau. De qualquer modo, são questões de difícil contorno. Mas, quando o assunto é “política e poder”, dificilmente consigo olhar com óculos de Rousseau. Quando acontece, logo me deparo com a decepção. Trata-se de uma decepção comigo mesmo por ter caído nas armadilhas discursivas do objeto do meu desejo. A experiência tem me ensinado que Hobbes é mais recomendável para conviver com o mundo da “política e do poder”. Pelo menos, não me decepciona tanto nem me sinto traído pelo meu próprio desejo. Aliás, bem antes de Hobbes, o Profeta Jeremias afirmou: “Assim diz o Senhor: -Maldito é o homem que confia nos homens” (Jeremias 17:5). Assim, esperar de políticos, plantonistas no exercício Poder, conduta pró-ativa em benefício da sociedade beira à ingenuidade. Quase sempre, se movem pela cobiça daquilo que pode agregar valores aos seus interesses particulares e de grupos. Quando há um gesto favorável à sociedade, quase sempre, é motivado por outros interesses. A sociedade costuma ficar com aas migalhas que caem à mesa do Trono. Ah, falando em Trono, tudo indica que a Matriarca está toda articulada para virar o jogo. Já conseguiu, no tabuleiro do Xadrez na “Casa da Mãe Joana”,  transformar um peão em Rainha. Agora está se preparando para reconquistar o Bispo, o Cavalo e a Torre. Ela aposta piamente que, até o final do ano, consiga recuperar plenamente a menina dos olhos de seu desejo: “Casa da Mãe Joana”. É como se fosse uma vaca leiteira, bem nutrida, apta para amentar os filhotes do Poder.  Serviçais para isso não faltam. Trata-se de uma cobiça que persegue implacavelmente a mente da Matriarca. Enfim, a expectativa da Bandeira Sagrada, que se consiste numa Casa da Mãe Joana livre dos tentáculos dos plantonista do poder, poder virar cinzas do tempo. “Quem viver, verá”, assim diz o profeta anônimo.   Rubens Galdino da Silva – Jornalista (MTB/SP 32.616) e professor.

Casa da Mãe Joana tem Superbispo

Há um velho e conhecido ditado popular que reza que “Rei morto”, rei posto”. Aliás, Vinícius de Moraes usou esse ditado num de seus mais belos poemas, intitulado “Hora Íntima”. Quem nunca leu, vale a pena a leitura. Os intelectuais costumam usar uma linguagem mais “sofisticada”. Referem-se ao mencionado ditado com a clássica frase: “a lógica do poder impõe sucessor”.  Noutras palavras, o poder não vive sem sucessor, independentemente do perfil, se é vermelho ou azul. Alguém, imediatamente, vai ocupar o trono. Ele nunca fica vazio. No caso da Casa da Mãe Joana, o Rei ainda está vivo. Claro, sem a Rainha, tem que se valer de outros recursos. Hoje, depois de quase um ano, a Matriarca perdeu o apoio do superpoder do Bispo. Ele, apesar de acumular várias acusações, conseguiu “miraculosamente” não ser importunado por ninguém. Daqui para frente, vai ter suas articulações limitadas aos fiéis seguidores. Mas pode voltar com “pompas e circunstâncias” desde que a Matriarca seja capaz de pensar jogadas inteligentes. É bom lembrar que a Rainha ainda atua nos bastidores.  A Casa da Mãe Joana, apesar de poderosa, inevitavelmente vive num ambiente social. Está sujeita às regras morais e legais. Os filhos dela têm vida social como todos, uns mais outros menos. Frequentam clubes, restaurantes, cafeterias, enfim, reuniões sociais. Nesses eventos, há muitas chacotas. Algumas por desconhecimento. São daqueles que colocam todos os filhos no mesmo caldeirão para fervura. Há, porém sempre alguém mais cuidadoso e racional, que questiona o caso. Isso acaba gerando muitos incômodos e indignação. Outros, tão acostumados com o que veem, acabam num descredito total. Tornam-se céticos e, quase sempre, preferem nem mesmo comentar o assunto. Porém, numa mesa qualquer de truco, sempre há aquele que, de forma provocativa, pergunta: “-como pode alguém ter sobrevivido na função por quase um ano, tendo o peso de diversas acusações sobre si mesmo?” Depois de um silêncio, alguém cauteloso se arrisca: “-Faz quase um ano? Como o tempo passa rápido. É, no mínimo, estranho.!!!” Outro, depois de uma “birita”, completa: “-Eu não tinha pensado nisso, mas tudo é possível. É muito tempo, né? Esse Bispo deve ser muito poderoso mesmo. Deve ter costas largas e quentes”. Geralmente, nessas reuniões sempre tem alguém metido a intelectual pronto para fazer o discurso refinado. Aí desfere: “-A corrupção, neste País da República das Bananas, é endêmica e estrutural. Acontece desde o Brasil-Colônia”.  Em seguida completa: “-Herdamos uma prática administrativa da coroa portuguesa chamada “patrimonialismo, que confunde interesses públicos com os privados”.  Diante da exímia explicação, alguém menos sofisticado, pergunta: “-É a tal da misericórdia franciscana de que é dando é que se recebe?” Assim, a Provincia fica em burburinhos. Com olhos atentos nas pedras do tabuleiro, provincianos mais interessados e curiosos ficam de prontidão. Querem saber qual é a jogada atualizada dos bastidores da disputa entre a Matriarca e seus filhos agregados, de preferência, saindo do forno. Mas a mídia local exagera na cautela. Não se sabe bem o porquê, mas é, no mínimo, preocupante. Costuma infantilizar. Transforma um direito do leitor ou ouvinte numa arma dela.   Enfim, a vida passa. A roda do tempo não perdoa. Hoje, o tempo é a grande arma da Matriarca. Ela tem se beneficiado nesse jogo de xeques sem mate. Ainda conta com muitos peões, ajuda das torres e de um dos bispos. Todos protegem-na usando o jogo sentimental de discursos e influências. Agora a Matriarca está provisoriamente sem o superbispo e pode ficar isolado e exposto. Tudo depende da boa articulação dos filhos que almejam mudanças. Assim, a província continua entre decepções, esperanças e, às vezes, com o sentimento do “Deus dará”.  O jogo continua e as expectativas são grandes. Depois dessa, o Rei vai cair? Quem viver, verá! Rubens Galdino, Jornalista (MTB/SP 32.616) e professor

Rubens Galdino

Possui formação em Teologia, Filosofia e História, com doutorado em História pela UNESP. Foi editor dos jornais “O Adamantinense” e “Jornal da Cidade”, além de fundador da Revista Omnia. Atualmente, é professor na Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), onde supervisiona projetos no curso de Direito e é membro do Cadastro Nacional e Internacional de Avaliadores do CONPEDI.

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