Cinema, sabedoria Bíblica e Casa da Mãe Joana

Domingo passado, assisti a um filme muito interessante na Netflix. “A vingança está na moda”. Trata-se de um filme num estilo de humor macabro e cores satíricas leves. Belo panorama fotográfico, que faz lembrar o velho Oeste Americano. O referido filme narra as intrigas de amor, conivência, submissão, perseguição e vingança, num ambiente de fofocas e trapaças. Conduz o enredo, que vai de um clima ameno a um final surpreendente. A história trata da volta de uma adolescência ao Vilarejo, donde havia sido expulsa sob acusação de assassinato.  Ambientado no interior da Austrália, em Dungatar. O filme é recheado de cenas fortes e, ao mesmo tempo, hilárias. Retrata o jogo de poder numa comunidade conservadora e marcada de tabus e preconceitos religiosos e culturais. Longe da presença efetiva do Estado, o Vilarejo organiza o cotidiano sob a tutela implacável do Prefeito e do “Xerife”. Trata-se de um estilo de administração autoritário e verticalizado, com profundo impacto horizontal na vida da comunidade. De fato, faz lembrar o período da política do coronelismo no Brasil. A protagonista Tilly, depois de se tornar uma renomada estilista na Europa, volta à terra natal movida pela tríade: ódio, perseguição e vingança. Saiu amaldiçoada. O pomo da trama envolve ela mesma, a mãe dela, o Prefeito e o Xerife. O tecido da trama está salpicado de lances de ódio e amor nas alcovas da vida, relegados à marginalidade da vida. A fonte das Leis do vilarejo são os valores religiosos e culturais. A administração do mesmo é por meio de uma colcha de manipulações costurada de intimidação, provocação e sedução.  Essa arte de manipulação o “Prefeito” e asseclas dominam muito bem. Nesse cenário, o senso de Justiça é movido pelo ódio e pela vingança. O medo impera soberanamente, produzindo crueldade e vítimas, algumas fatais. Ao deflagar o processo de vingança, Tilly não conseguiu prever as consequências. No final, perdeu totalmente o controle. Da condição de comando, passou a sofrer as consequências nefastas da própria vingança. Assim acontece, de modo geral, com os que enveredam pelos caminhos capciosos do crime. As iniciativas bem sucedidas, num dado momento do percurso, acabem trombando com as próprias pedras postas no caminho pela vingança. Algumas delas até serviram de apoio a determinados fins vingativos. A sabedoria bíblica nos ensina a ver as consequências de quem opta por semear a tempestade.  Num brilhante sermão, o Arcebispo da Arquidiocese de Vitória, Dom Dario Campos, um frade franciscano, fez um belo retrato a respeito do assunto e do desafio, que o mesmo enseja. A quem se interessar, é só fazer busca na Internet. É fácil acha-lo. Palavras do profeta Oséias, 8:7, afirmam: “Porque semeiam vento, colherão tempestade; não haverá seara, pois o talo não produzirá cereal; o pouco que der, os estrangeiros o devorarão”. O profeta Oséias foi brilhante. A metáfora dele é atual. Aplica-se a diversas situações, desde à esfera privada à pública. Para não falar do nosso País, vejamos os exemplos:  URSS, Venezuela, Alemanha nazista, Itália, Espanha e Portugal fascista, ditaduras do Chile, Venezuela, da Guerra Secessão dos Estados Unidos etc. A “Casa da Mãe Joana” se prepara para um novo tempo. Tempo ainda incerto. A Matriarca vai tentar sobreviver de alguma forma. Normal, faz parte do jogo do Poder. É uma disputa de convencimento, cada qual com estratégias e táticas próprias. Quem vai vencer a próxima partida? O “profeta anônimo” não se arrisca a nenhum palpite. Porém, sabe que, seja quem for o vencedor, muitas e profundas mudanças qualitativas estão sendo esperadas pela maioria. Ao vencedor, é bom lembrar que o jogo continua. O vencedor é quem dará o tom da música. Enfim, a “Casa da Mãe Joana” precisa de muita paz. Sem essa preciosidade existência e coletiva, não haverá prosperidade, alegria e vida abundante para todos. Reinará a babel de sempre. Quem viver, verá! Rubens Galdino da Silva, Jornalista (MTB/SP 32.616) e professor

Casa da Mãe Joana na terra do “Faz de conta”

Há um ditado popular muito explorado para dizer como funcionam as leis no Brasil.  Tem origem no Brasil Imperial. Com a condição de país independente, era necessário alinhavar a prática política e administrativa às expectativas da comunidade internacional, em especial do Reino Unido, que era um grande parceiro comercial. Uma das exigências dos ingleses era a de acabar com a escravidão negra no País do “faz de conta”. Assim, o Parlamento brasileiro, pensando nas vantagens das boas relações comerciais, editou normas de combate à escravidão, com punições aos súditos transgressores. No fundo, o objetivo da adoção nada tinha a ver com a mudança da realidade social. O objetivo era o de apenas atender as demandas do Reino Unido.  Daí o famoso ditado: “para inglês ver”. Somos uma cultura amante das aparências, até nas cordialidades, como bem concluiu Sérgio Buarque de Holanda. Já se foram 200 anos. Pouco, ou quase nada mudou. Há uma enciclopédia de normas, que só existe na biblioteca de vitrine. Na hora de aplicá-las, fica a sensação estranha de que tudo beneficia os plantonistas do poder. Florestan Fernandes, referindo-se aos ideais republicanos gravados na Bandeira Nacional, fez um brilhante comentário: “Ordem, para quem está em baixo; progresso, para quem está em cima”. Assim tem funcionado. Quem paga a conta, quase sempre, é quem está em baixo. Há um crivo social seletivo cruel. Daí a famosa frase, “O Brasil não é um país sério”, dita originalmente pelo diplomata brasileiro Carlos Alves de Souza Filho ao jornalista Luís Edgar de Andrade, correspondente do Jornal do Brasil em Paris no contexto da Guerra da Lagosta. Ela virou jargão, quase sempre invocada quando o assunto é moralidade pública. Aliás, a referida frase tem sido atribuída equivocadamente a Charles de Gaulle, ex-presidente da França. Bem, voltando à Casa da Mãe Joana, fica a sensação de que a situação não é diferente. A casa tem Estatuto e Regimento. Quase sempre, são aplicados de acordo com as conveniências das circunstâncias. A lógica que impera é aquela da propaganda do cigarro “Vila Rica”, protagonizada pelo campeão brasileiro da Copa de 70 no México, Gerson: “O importante é levar vantagem”. Esse moto passou para história como a “Lei de Gérson”. Deste modo, para garantir os resultados das vantagens na Casa da Mãe Joana, a máquina funciona no esquema de hierarquização de cargos, privilégios e salários. A Matriarca da Casa sabe cuidar bem disso. Assim, acaba cooptando e ajeitando os interesses de cada filho dileto. O que importa é a sobrevivência do Bispo para garantir as nomeações paroquiais e as respectivas côngruas. Quanto aos outros filhos “persona non grata”, devem se contentar com as migalhas que caem à mesa. Se não estão contentes, não tem problema. Estão livres para desembarcar noutros portos, com seus sonhos na mala. Afinal, a Casa da Mãe Joana não é para sonhar e, sim, viver de cabeça baixa como ovelha para o matadouro. A ordem é a de preservar os interesses da Matriarca, sem pudor nem escrúpulos. Para isso, a chicotada dos filhos capachos, perseguindo ou retaliando, opera bem. E como dói! Dói no corpo e na alma. Reclamações não faltam. A humilhação é a voz de comando de quem não tem argumentos plausíveis. Afinal, usam esse esquema por se sentir imunes e impunes, claro, debaixo da capa sagrada da Matriarca.     Na última jogada, a Matriarca conseguiu importante avanço na recuperação do Superbispo com a decisiva ajuda da submissa deusa Minerva. Aliás, bola antecipadamente cantada no jogo do Bingo. Assim, por enquanto, ninguém está autorizado a mexer com ele. Permanece gozando suas merecidas férias “coloniais”, sem ser importunado. Claro, o tempo é a grande arma na mão da Matriarca. Agora é o momento de conferir a próxima jogada. O jogo continua e as expectativas são grandes. Depois dessa, será que o Superbispo vai cair? O tabuleiro ainda reserva muitas jogadas. Quem viver, verá! Rubens Galdino da Silva, Jornalista (MTB/SP 32.616) e professor

Mãe Joana, enxadrista nata!

Quem tem vocação para o Poder já é, em si mesmo, um enxadrista nato. A Mãe Joana é um desses. Perdendo ou ganhando, move as pedras do tabuleiro. O alvo é o de ampliar o plantão. Sabe que para sobreviver, no poder, precisa jogar bem cada partida. Caso contrário, está condenada ao expurgo. Para continuar no mando, nada de escrúpulo. Escrúpulo é coisa de religiosos, principalmente de quem espera uma recompensa celestial.  A política é a arte do possível, com resultados. Sem resultados, o príncipe vira pó de traque nas fogueiras juninas. Recentemente, ocorreu um lance interessante. Nele, a Matriarca fez uma jogada de Mestre. Cansado de seus filhos rebeldes, conseguiu uma Autorização Superior para mudanças nas regras de funcionamento da Casa. Há tempo, reclamam-se adequações da “Casa da Mãe Joana” ao “politicamente correto”. Algumas já ocorreram. Outras adequações, principalmente de ordem estrutural e funcional, ainda estão à espera de iniciativas ousadas. O que chamou atenção foi o texto de Autorização ter virado pretexto para o arbítrio. Claro, como sempre, em nome da “moralidade”. Aliás, próprio do espírito totalitário. Ele é sedutor e agrada muito o senso comum que, movido por “princípios”, cai de paraquedas no solo das ambições dos plantonistas do Poder. Exemplos não faltam, principalmente na terra da bota de cano longo. Para conseguir a referida Autorização de seus desejos carnais, a Matriarca usou a Rainha para ser comida. Entregou-a, aparentemente, aos leões famintos. Aliás, coisa rara no jogo de xadrez, principalmente nas jogadas decisivas da partida. Já vimos essa estratégia com bispo, no qual o enxadrista deu xeque-mate direto. O adversário foi nocauteado nos primeiros lances.   Fazer o mesmo com a rainha é possível. Alerta-se ser jogada de alto risco. Vale o risco? Sim e não. Sim, porque pode ser uma oportunidade de liquidar a fatura, dar fim à partida e continuar com o jogo à espera de adversários mais bem preparados. Porém, não foi o que ocorreu. O tiro saiu pela culatra.  Pior, ficou sem a rainha, que é ardilosa e experiente nas articulações. Agora tem que se contentar com o poder dos bispos junto ao baixo clero. Aliás, que, ultimamente, não anda nada bem. Além disso, o jogo limita bem o poder dos bispos, reduzindo-o à operacionalidade vassálica.  Os bispos andam sobre as linhas da cruz e não podem sair delas. Só podem punir quem está nos trilhos da cruz. No máximo, às vezes, aceita-se conselho deles.  Sabe, observando o cenário, acredita-se que a Matriarca foi com muita fome ao pote. Poderia ter sido muito bem sucedida se tivesse percebido que o sucesso da estratégia dependeria de outras jogadas sutis. O Poder cega facilmente, principalmente aqueles que gostam de governar com o umbigo e movidos pelas paixões. Costumam meter as mãos pelos pés e descuidarem da Razão e do motivo de existir. Claro, simplesmente como “políticos.”     Mandar na “Casa da Mãe Joana” não é um exercício fácil.  A “Casa está virando mina de ouro” e tem atraído muitos especuladores paraquedistas, alguns inescrupulosos. Nessa altura do campeonato, a maioria dos filhos tem reagido para evitar a anunciada tragédia. Por outro lado, é bom lembrar que a Matriarca perdeu apenas uma partida na fase classificatória, mas o jogo continua e pode chegar vitoriosa no eliminatória. Ela sabe bem disso. Sabe que pode salvar seu reinado e ganhar o campeonato. É bem difícil. O Poder costuma ser um rolo compressor. Não gosta de príncipes incautos, principalmente daqueles que governam com as vísceras. Esse tipo de plantonistas não tem vida longa. Enfim, vamos aguardar, com paciência, o desfecho final. Quem viver, verá… Rubens Galdino da Silva – Jornalista (MTB/SP 32.616) e professor  

Superbispo e suas jogadas!!

As crônicas da Casa da Mãe Joana andaram um pouco adormecidas. Provavelmente, em estado de alerta, no forno do tempo, à espera de uma jogada inteligência, que mereça comentários. Ademais, a crônica é um jeito leve de falar de coisas sérias.  Se não falha a memória, foi o escritor mexicano Octavio Paz, prêmio Nobel em Literatura, que disse ser o chiste mais engraçado aquele que faz pensar. Mas não precisamos ir tão longe. Chico Buarque e Geraldo Vandré fizeram uso abundante da “crônica musical”.   Bem, voltando à Casa da Mãe Joana, uma das lições mais preciosas no jogo de Xadrez é a tática de fazer da Rainha uma arma implacável no combate aos adversários. Ela deve ser sagaz e impiedosa, sem trégua. Não é à toa que ela tem livre trânsito, desde que não esteja encurralada. Uma vez encurralada e sem saída, resta-lhe a rendição.  Evitar que isso aconteça é uma das grandes preocupações da Matriarca. Assim, além da beleza e sensualidade, o quesito inteligência e sabedoria são indispensáveis. Porém, de todas a qualidades, o que mais pesa é o fator inteligência e sabedoria. O Rei está autorizado a se sentir à vontade nas alcovas, desde que seja comedido e sem holofotes.   Porém, por um descuido da Matriarca, na Casa da Mãe Joana, o Rei ficou sem a querida Rainha. O leite da vaca azedou. Por outro lado, o Rei pode contar com dois Bispos, um deles com status de Superbispo. Os Cavalos e as Torres já foram abatidos, restando-lhe alguns peões, fiéis escudeiros. Na prática, a Matriarca conta apenas com o Superbispo. Embora, descrente da capacidade dele de sobreviver às espadas e flechas dos adversários, esforça-se para acreditar no sucesso das iniciativas dele.  Atualmente, o Superbispo está encurralado pela Rainha, bispos Cavalos, Torres e peões dos adversários no campo de batalha. Em meio às espadas e flechas, tem buscado reforços extras profissionais de longa experiência na defesa de seus clientes. Eles conhecem bem o jogo do Poder em nível paroquial, diocesano e, até mesmo, da Nunciatura, em Brasília. Sabem lidar serenamente com os desafios e desafetos.   A princípio, têm tudo para ser bem-sucedidos. A questão é a de saber se a conquista, a médio prazo, terá sustentabilidade. O grande dilema é identificar se as espadas e as flechas do adversário têm poder de abate. Há dúvidas e elas também têm servido de carvão para manter o Superbispo na luta, embora muito arranhado pelas circunstâncias. Alguns arranhões já expuseram a carne da alma dele. A bem da verdade, é admirável como o Superbispo enfrenta a situação. O despudor é a marca mais visível. É como se o circo em chamas e nada estivesse acontecendo ao mesmo tempo.  Não importa quem vai ser esturricado, desde que “minha pele” esteja a salvo e sã. Esta postura dele tem uma expressão bem chique para retratá-la: “pragmatismo político”. Aliás, hoje está em moda. A tradição cultural e jurídica anglo-saxônica (common law) ganha uma versão brasileira, enviesada pelo humor latino, pragmático e individualista do Império Romano.  A grande dúvida, porém, é a repercussão nas redes sociais. Quase sempre, elas estão atentas e ácidas com os bastidores do Poder.   Mas tudo indica que a Matriarca, com a coragem e ousadia do Superbispo, não está interessada na preservação do bom nome da Casa da Mãe Joana. Ela sabe que, na guerra, a vitória é mais importante do que os princípios.  O poder é pragmático e só conhece o jogo do resultado. Diante das jogadas confusas e inesperadas, ainda não dá para ter certeza de quem vai levar o troféu.   Enfim, a incógnita ainda permanece. O jogo está em andamento. Somente, como diz o profeta anônimo, “quem viver, verá”! Rubens Galdino da Silva – Professor e jornalista (MTB/SP 32.616) 

Casa da Mãe Joana e traições no jogo da Matriarca

Há um seriado muito interessante no “canal prime vídeo”. Verdadeira aula de ciências políticas. Ambientado em Florença do século 15, trata do domínio da Família Medici. Lorenzo di Medici é o protagonista, personagem que inspirou Maquiavel na escrita do livro “O Principe”. Aliás, a quem, dedica o livro. Primoroso presente à humanidade, principalmente aos amantes do Poder. Certamente, deve ser o livro preferido da Matriarca. O seriado mostra uma Família, em plena decadência, em seus negócios financeiros, tentando se salvar. No centro do teatro da crise, está Lorenzo di Medici, o “Magnífico”. Desde criança, ele vive drama dos conflitos entre princípios religiosos e exigências éticas pragmáticas. Lorenzo cresce embalado pelas fantasias de Poder da mãe, um misto de religião e política. Aos poucos, nesse cenário paradoxal, Lorenzo se vê como salvador dos sonhos da Família. Daí pra frente, passou a usar a religião como instrumento de Poder. A missão dele era a de resgatar o prestígio da Família. Convive, de um lado, com vaidades e intrigas familiares, e, do outro, com as ambições dos concorrentes. Ele, inicialmente, joga todo o peso das articulações na Igreja e ambições dos concorrentes. Constrói alianças familiares e até mesmo com os principais concorrentes: Vaticano e Veneza.   Aposta nas relações de fidelidades e traições. Ele sabe que, nesse jogo, há quem gosta dos olhos; há também os que gostam da remela; mas há também os que apreciam os dois, de acordo com as circunstâncias.  Sabe também que ele pode contar com o serviço limpo ou sujo deles. Porém, sabe que não pode descartar o uso deles pelo adversário. Daí todo o cuidado para não ser vítima. Também sabe que a grande tábua de salvação está em trabalhar bem as ambições carnais da hierarquia das instituições consideradas sagradas.  Dentro da hierarquia, entre a paróquia e o Papa, há as dioceses, que aprenderam o jogo de conciliar os interesses de acordo com as circunstâncias favoráveis. Elas têm o poder de trancar e/ou dar continuidade ao jogo com base nas sutilezas do processo canônico. Detêm considerável grau de poder. O seriado também evidencia uma lição importante em relação aos que gostam dos olhos e/ou da remela. Há nelas uma enorme diferença de exposição pública. A Diocese está menos exposta do que o Papa. A Diocese funciona como escalão intermediário e está mais bem protegida. Aliás, é o chamado 2º escalão dos poderes. Mas, por outro lado, quando há forte disposição de pegar o príncipe, as denúncias quase sempre envolvem membros do 2º Escalão. De olho na paróquia e no Papa, Lorenzo jogou pesado sobre os interesses no 2º escalão. Transformou fiéis em traidores e traidores em fiéis. Sabia também como o poder simbólico do mimo funciona bem nessas articulações. Ele realizou ricas encomendas, fato que o tornou um emblema do mecenato. Fez doações caríssimas de obras de arte  e incentivo cultural, além de outras encomendas obscuras. Assim, Lorenzo soube colocar fim às disputas com Veneza e Milão, dois importantes polos de prosperidade na Itália de então. Assim, Lorenzo conseguiu dar proteção ao eixo formado por Florença, Milão e Nápoles. Neutralizou as ambições venezianas e da cúpula papal criando condições favoráveis para impulsionar o Renascimento. Em relação à Casa da “Mãe Joana”, o profeta anônimo já antecipou que a Matriarca iria aproveitar o tempo entre Festas de Final de Ano e fantasias carnavalescas para mudar o jogo. Tudo indica que a profecia está se realizando e a desvantagem pode mudar de endereço. Claro, com ajuda prodigiosa dos serviçais do 2º Escalão.       Enfim, o jogo ainda não terminou. Ainda, há muita água pra rolar sob a ponte e vela pra queimar no altar sagrado da deusa Têmis. Quem vai vencer o jogo? Ainda não dá pra definir.  “Quem viver verá”… Rubens Galdino da Silva – Professor e jornalista (MTB/SP 32.616)

Política na Casa da Mãe Joana

Desde início, pairam, na Casa da Mãe Joana, muitas dúvidas. São as interferências políticas, que deixam rastros incertos. Reclamações e comentários não faltam. Os interesses dos plantonistas, quase sempre, seguem a sentimental lógica da misericórdia franciscana. O refrão, “dando é que se recebe”, anima as festas. Que festas, não é? Nessas festas, os convidados são especiais e bem tratados. Não faltam boa comida e bebida. Claro, tudo com o chapéu alheio. Eles gostam da obesidade[malm1] . Nada fazem senão do feito esperado. Que feito, não é? Costumam não dormir com olhos dos outros. Caso durmam, não acordam. Se acordarem, ficam na UTI, um bom tempo, penitenciando-se.  Sabe, a Casa da Mãe Joana nasceu de um sonho de um casal: ele, Coronel, sem patente; ela, acadêmica, de expressão internacional. A gestação do filho foi um longo pesadelo, com constantes ameaças de aborto. Como o Coronel era habilidoso, assessorou-se de médicos especialistas e tudo deu certo. A criança nasceu raquítica, mas promissora, pronta para crescer e virar adulta, inteligente e produtiva. Após registro no Cartório, o Coronel, sempre assessorado pela companheira, comprou um terreno. Afinal, a Família precisa de casa para bem educar os filhos. Para dar início à aventura, escolheu uma chácara na periferia da cidade. Embora, no período chuvoso, tivesse alguns problemas hidráulicos, o local era estratégico. Depois de tudo certo, o próximo passo foi construir a casa. Dispondo de pouco dinheiro, o Coronel fez uma modesta casa. Nada confortável, nem ornamentada. Parecia mais um barracão da FEPASA ou almoxarifado. Porém, cumpria bem a função destinada. Mas chegou o dia de passar pra frente a herança eleitoral. Daí em diante, a história ganha outros contornos. O comando saiu da mão do Coronel e foi parar na mão da Matriarca. Transformou-se em FERRAMENTA DA MATRIARCA (sigla[malm2] ). Assim, uma nova história se iniciava. Aos poucos, os cofres passam à cobiça dos plantonistas. Então, com mais grana no cofre, surgem os elefantes brancos. Cada elefante com sua bela e sedutora história. Os elefantes têm dieta alimentar cara. Haja dinheiro para sustentar esses elefantes brancos ruidosos. Dão muito trabalho… (kkk)!!! Bem, agora, falemos um pouco do Coronel. Ele era uma figura serena, conversa mansa e mineira. Tinha carisma. Governava no silêncio. Frio e calculista, fazia de tudo para ostentar imagem de democrata. Nas reuniões, deixava o papo rolar democraticamente. Depois de uma boa cochilada, sacava resposta pronta do surrado paletó. Ninguém ousava contestá-lo. De hábitos simples e vida modesta, gostava muito de prosear. Tinha estilo liberal e gostava de inovação. Embora de idade avançada, a memória dele era brilhante. Viajar era o hobby principal. Sonhava com um mundo diferente no maltratado país das “Pizzas”. Deixou saudades!!! Enfim, atualmente a Casa da Mãe Joana anda tensa. Muitos boatos. Nela, acirram-se as fofocas. O tabuleiro ainda está confuso. Porém, é dada como certa a queda do Bispo Auxiliar da Rainha. Provavelmente, a partir de segunda próxima, os filhos da prometida mudança terão um novo SÍMBOLO NO PODER. Aliás, sem símbolo, o poder não vive. Haverá, de fato, mudanças estruturais na Casa da Mãe Joana ou mais uma utopia? Quem viver, verá! Rubens Galdino da Silva – Professor e jornalista (MTB/SP 32.616)

Superbispo Encurralado

Fim de ano, muita movimentação na “Casa da Mãe Joana”. A “Casa” nunca se viu tão cheia de tantos problemas de sérias implicações no “Direito Canônico”.  Apurar fatos e responsabilidades já é tarefa ingente, imagine quando envolve o STAFF. Com filhos bastardos ou agregados, usa-se a caneta de forma serena e cruel. Pode se espernear, mas a cabeça rola. Punem-se até mesmo práticas insignificantes. “Bode expiatório”? Manter aparências e suposta “autoridade” é lei. A caneta deve funcionar sem escrúpulo. Sentimentos à parte. O poder é pura Razão. Claro, no que convém. Recentemente, um ministro da Suprema Corte confirmou decisão judiciária que penalizava uma mãe, que furtou fraldas no valor de 120 reais. No despacho, o  Ministro Mendonça  afirma: “[…] a despeito da pequena expressividade do valor monetário dos objetos subtraídos, considero relevante a periculosidade social na ação perpetrada”. Sem entrar no mérito, o Ministro seguiu a regra geral. Parafraseando Hans Kelsen, num estilo hobbesiano, não há Lei sem foice. Ela é imperatividade, sem paixão nem ideologia. Kelsen só não falou das conveniências. Os casos de Collor e Lula, sem entrar no mérito, certamente foram para pauta da periculosidade “político-ideológica” e não à da relevância da periculosidade social. Situação semelhante pode acontecer com Bolsonaro. Tudo vai depender do contexto político. É difícil negar a seletividade social dada às leis penas. Basta observar as decisões judiciais e da suprema corte. Não precisa ser doutor em Direito para sentir, analisar e inferir juízos sobre a performance da peça teatral. O nó da questão está nas sutilezas processuais. Filhos bastardos ou agregados não contam com o carvão. Profissionais experientes, que conhecem bem a estrutura, o funcionamento e os caminhos do acesso à Justiça, são caros. Trabalham pra quem tem grana. Assim, funciona a produção material e simbólica da sociedade em meio às desigualdades econômicas. Salve-se que puder. Voltando à “Casa da Mãe Joana”,  a Matriarca sabe que o Superbispo está encurralado e de sobrevivência remota. Como ela conhece bem lições do Xadrez, já colocou em prática a tática da postergação do xeque-mate. O tempo é seu melhor aliado. Quem sabe, num cochilo, o jogo se inverte. Noutras palavras, o feitiço vira contra o feiticeiro. Para virada do jogo, a Matriarca conhece bem lições de Maquiavel, principalmente a de que todos os meios são justificáveis para salvar a pele. Aí, entra em cena Francis Bacon: “saber é poder”.  Saber e poder andam juntos, sob o mando silencioso da grana. Este casamento, “saber, poder e carvão”, tem funcionado muito bem. Tão bem que tem provocado sensação estranha de cansaço e frustração em quem ousa destruí-lo. Exerce imenso fascínio sobre as pessoas, que gostam de “levar vantagem”. No tabuleiro, é perceptível a pontaria quase certeira de flechas e  espadas sobre o Superbispo. Quase certeiras, porque ele ainda luta. No caso, a permanecia dele depende da experiência de quem conhece bem o jogo do Poder, como metáfora, em nível paroquial, diocesano e da Nunciatura. A Matriarca vem cuidando com carinho do caso. Não por amor ao Superbispo. Ele é apenas peça, que pode ser útil. Embora receosa, acredita na estratégia adotada. Sabe medir o peso da caneta da cúria diocesana, que pode trancar tudo e paralisar o jogo até a exaustão do tempo. Caso aconteça, a guerra, mesmo sem terminar, estará vencida. A Matriarca sentir-se-ia à vontade para reinar, como sempre o fez, na “Casa da Mãe Joana”. Diante dessa percepção,  o “profeta anônimo” acredita que o grande golpe da Matriarca sobre o esquema de esclarecimento, responsabilização e punição deva acontecer entre festas natalinas e euforias carnavalescas. Caso acorra, toda expectativa de mudanças na Casa da Mãe Joana virará pó de traque, sob o manto sagrado da deusa “Themis”. Enfim, a incógnita permanece. Atualmente, a Matriarca está em desvantagem. Mas, daí à derrota, como diz o profeta anônimo, “quem viver, verá”! Rubens Galdino da Silva – Professor e jornalista (MTB/SP 32.616)

Rubens Galdino

Possui formação em Teologia, Filosofia e História, com doutorado em História pela UNESP. Foi editor dos jornais “O Adamantinense” e “Jornal da Cidade”, além de fundador da Revista Omnia. Atualmente, é professor na Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), onde supervisiona projetos no curso de Direito e é membro do Cadastro Nacional e Internacional de Avaliadores do CONPEDI.

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