{"id":387,"date":"2024-08-24T22:43:40","date_gmt":"2024-08-25T01:43:40","guid":{"rendered":"https:\/\/rubens.jor.br\/?p=387"},"modified":"2024-08-24T22:43:43","modified_gmt":"2024-08-25T01:43:43","slug":"superbispo-encurralado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/2024\/08\/24\/superbispo-encurralado\/","title":{"rendered":"Superbispo Encurralado"},"content":{"rendered":"\n<p>Fim de ano, muita movimenta\u00e7\u00e3o na \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d. A \u201cCasa\u201d nunca se viu t\u00e3o cheia de tantos problemas de s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es no \u201cDireito Can\u00f4nico\u201d.&nbsp; Apurar fatos e responsabilidades j\u00e1 \u00e9 tarefa ingente, imagine quando envolve o STAFF. Com filhos bastardos ou agregados, usa-se a caneta de forma serena e cruel. Pode se espernear, mas a cabe\u00e7a rola. Punem-se at\u00e9 mesmo pr\u00e1ticas insignificantes. \u201cBode expiat\u00f3rio\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>Manter apar\u00eancias e suposta \u201cautoridade\u201d \u00e9 lei. A caneta deve funcionar sem escr\u00fapulo. Sentimentos \u00e0 parte. O poder \u00e9 pura Raz\u00e3o. Claro, no que conv\u00e9m. Recentemente, um ministro da Suprema Corte confirmou decis\u00e3o judici\u00e1ria que penalizava uma m\u00e3e, que furtou fraldas no valor de 120 reais. No despacho, o&nbsp; Ministro Mendon\u00e7a&nbsp; afirma: \u201c[&#8230;] a despeito da pequena expressividade do valor monet\u00e1rio dos objetos subtra\u00eddos, considero relevante a periculosidade social na a\u00e7\u00e3o perpetrada\u201d. Sem entrar no m\u00e9rito, o Ministro seguiu a regra geral. Parafraseando Hans Kelsen, num estilo hobbesiano, n\u00e3o h\u00e1 Lei sem foice. Ela \u00e9 imperatividade, sem paix\u00e3o nem ideologia. Kelsen s\u00f3 n\u00e3o falou das conveni\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos de Collor e Lula, sem entrar no m\u00e9rito, certamente foram para pauta da periculosidade \u201cpol\u00edtico-ideol\u00f3gica\u201d e n\u00e3o \u00e0 da relev\u00e2ncia da periculosidade social. Situa\u00e7\u00e3o semelhante pode acontecer com Bolsonaro. Tudo vai depender do contexto pol\u00edtico. \u00c9 dif\u00edcil negar a seletividade social dada \u00e0s leis penas. Basta observar as decis\u00f5es judiciais e da suprema corte. N\u00e3o precisa ser doutor em Direito para sentir, analisar e inferir ju\u00edzos sobre a performance da pe\u00e7a teatral.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00f3 da quest\u00e3o est\u00e1 nas sutilezas processuais. Filhos bastardos ou agregados n\u00e3o contam com o carv\u00e3o. Profissionais experientes, que conhecem bem a estrutura, o funcionamento e os caminhos do acesso \u00e0 Justi\u00e7a, s\u00e3o caros. Trabalham pra quem tem grana. Assim, funciona a produ\u00e7\u00e3o material e simb\u00f3lica da sociedade em meio \u00e0s desigualdades econ\u00f4micas. Salve-se que puder.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando \u00e0 \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d, &nbsp;a Matriarca sabe que o Superbispo est\u00e1 encurralado e de sobreviv\u00eancia remota. Como ela conhece bem li\u00e7\u00f5es do Xadrez, j\u00e1 colocou em pr\u00e1tica a t\u00e1tica da posterga\u00e7\u00e3o do xeque-mate. O tempo \u00e9 seu melhor aliado. Quem sabe, num cochilo, o jogo se inverte. Noutras palavras, o feiti\u00e7o vira contra o feiticeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para virada do jogo, a Matriarca conhece bem li\u00e7\u00f5es de Maquiavel, principalmente a de que todos os meios s\u00e3o justific\u00e1veis para salvar a pele. A\u00ed, entra em cena Francis Bacon: \u201csaber \u00e9 poder\u201d. &nbsp;Saber e poder andam juntos, sob o mando silencioso da grana. Este casamento, \u201csaber, poder e carv\u00e3o\u201d, tem funcionado muito bem. T\u00e3o bem que tem provocado sensa\u00e7\u00e3o estranha de cansa\u00e7o e frustra\u00e7\u00e3o em quem ousa destru\u00ed-lo. Exerce imenso fasc\u00ednio sobre as pessoas, que gostam de \u201clevar vantagem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No tabuleiro, \u00e9 percept\u00edvel a pontaria quase certeira de flechas e &nbsp;espadas sobre o Superbispo. Quase certeiras, porque ele ainda luta. No caso, a permanecia dele depende da experi\u00eancia de quem conhece bem o jogo do Poder, como met\u00e1fora, em n\u00edvel paroquial, diocesano e da Nunciatura.<\/p>\n\n\n\n<p>A Matriarca vem cuidando com carinho do caso. N\u00e3o por amor ao Superbispo. Ele \u00e9 apenas pe\u00e7a, que pode ser \u00fatil. Embora receosa, acredita na estrat\u00e9gia adotada. Sabe medir o peso da caneta da c\u00faria diocesana, que pode trancar tudo e paralisar o jogo at\u00e9 a exaust\u00e3o do tempo. Caso aconte\u00e7a, a guerra, mesmo sem terminar, estar\u00e1 vencida. A Matriarca sentir-se-ia \u00e0 vontade para reinar, como sempre o fez, na \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa percep\u00e7\u00e3o,&nbsp; o \u201cprofeta an\u00f4nimo\u201d acredita que o grande golpe da Matriarca sobre o esquema de esclarecimento, responsabiliza\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o deva acontecer entre festas natalinas e euforias carnavalescas. Caso acorra, toda expectativa de mudan\u00e7as na Casa da M\u00e3e Joana virar\u00e1 p\u00f3 de traque, sob o manto sagrado da deusa \u201cThemis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, a inc\u00f3gnita permanece. Atualmente, a Matriarca est\u00e1 em desvantagem. Mas, da\u00ed \u00e0 derrota, como diz o profeta an\u00f4nimo,<strong> \u201c<\/strong>quem viver, ver\u00e1\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rubens Galdino da Silva &#8211; Professor e jornalista (MTB\/SP 32.616)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fim de ano, muita movimenta\u00e7\u00e3o na \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d. A \u201cCasa\u201d nunca se viu t\u00e3o cheia de tantos problemas de s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es no \u201cDireito Can\u00f4nico\u201d.&nbsp; Apurar fatos e responsabilidades j\u00e1 \u00e9 tarefa ingente, imagine quando envolve o STAFF. Com filhos bastardos ou agregados, usa-se a caneta de forma serena e cruel. Pode se espernear, mas a cabe\u00e7a rola. Punem-se at\u00e9 mesmo pr\u00e1ticas insignificantes. \u201cBode expiat\u00f3rio\u201d? Manter apar\u00eancias e suposta \u201cautoridade\u201d \u00e9 lei. A caneta deve funcionar sem escr\u00fapulo. Sentimentos \u00e0 parte. O poder \u00e9 pura Raz\u00e3o. Claro, no que conv\u00e9m. Recentemente, um ministro da Suprema Corte confirmou decis\u00e3o judici\u00e1ria que penalizava uma m\u00e3e, que furtou fraldas no valor de 120 reais. No despacho, o&nbsp; Ministro Mendon\u00e7a&nbsp; afirma: \u201c[&#8230;] a despeito da pequena expressividade do valor monet\u00e1rio dos objetos subtra\u00eddos, considero relevante a periculosidade social na a\u00e7\u00e3o perpetrada\u201d. Sem entrar no m\u00e9rito, o Ministro seguiu a regra geral. Parafraseando Hans Kelsen, num estilo hobbesiano, n\u00e3o h\u00e1 Lei sem foice. Ela \u00e9 imperatividade, sem paix\u00e3o nem ideologia. Kelsen s\u00f3 n\u00e3o falou das conveni\u00eancias. Os casos de Collor e Lula, sem entrar no m\u00e9rito, certamente foram para pauta da periculosidade \u201cpol\u00edtico-ideol\u00f3gica\u201d e n\u00e3o \u00e0 da relev\u00e2ncia da periculosidade social. Situa\u00e7\u00e3o semelhante pode acontecer com Bolsonaro. Tudo vai depender do contexto pol\u00edtico. \u00c9 dif\u00edcil negar a seletividade social dada \u00e0s leis penas. Basta observar as decis\u00f5es judiciais e da suprema corte. N\u00e3o precisa ser doutor em Direito para sentir, analisar e inferir ju\u00edzos sobre a performance da pe\u00e7a teatral. O n\u00f3 da quest\u00e3o est\u00e1 nas sutilezas processuais. Filhos bastardos ou agregados n\u00e3o contam com o carv\u00e3o. Profissionais experientes, que conhecem bem a estrutura, o funcionamento e os caminhos do acesso \u00e0 Justi\u00e7a, s\u00e3o caros. Trabalham pra quem tem grana. Assim, funciona a produ\u00e7\u00e3o material e simb\u00f3lica da sociedade em meio \u00e0s desigualdades econ\u00f4micas. Salve-se que puder. Voltando \u00e0 \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d, &nbsp;a Matriarca sabe que o Superbispo est\u00e1 encurralado e de sobreviv\u00eancia remota. Como ela conhece bem li\u00e7\u00f5es do Xadrez, j\u00e1 colocou em pr\u00e1tica a t\u00e1tica da posterga\u00e7\u00e3o do xeque-mate. O tempo \u00e9 seu melhor aliado. Quem sabe, num cochilo, o jogo se inverte. Noutras palavras, o feiti\u00e7o vira contra o feiticeiro. Para virada do jogo, a Matriarca conhece bem li\u00e7\u00f5es de Maquiavel, principalmente a de que todos os meios s\u00e3o justific\u00e1veis para salvar a pele. A\u00ed, entra em cena Francis Bacon: \u201csaber \u00e9 poder\u201d. &nbsp;Saber e poder andam juntos, sob o mando silencioso da grana. Este casamento, \u201csaber, poder e carv\u00e3o\u201d, tem funcionado muito bem. T\u00e3o bem que tem provocado sensa\u00e7\u00e3o estranha de cansa\u00e7o e frustra\u00e7\u00e3o em quem ousa destru\u00ed-lo. Exerce imenso fasc\u00ednio sobre as pessoas, que gostam de \u201clevar vantagem\u201d. No tabuleiro, \u00e9 percept\u00edvel a pontaria quase certeira de flechas e &nbsp;espadas sobre o Superbispo. Quase certeiras, porque ele ainda luta. No caso, a permanecia dele depende da experi\u00eancia de quem conhece bem o jogo do Poder, como met\u00e1fora, em n\u00edvel paroquial, diocesano e da Nunciatura. A Matriarca vem cuidando com carinho do caso. N\u00e3o por amor ao Superbispo. Ele \u00e9 apenas pe\u00e7a, que pode ser \u00fatil. Embora receosa, acredita na estrat\u00e9gia adotada. Sabe medir o peso da caneta da c\u00faria diocesana, que pode trancar tudo e paralisar o jogo at\u00e9 a exaust\u00e3o do tempo. Caso aconte\u00e7a, a guerra, mesmo sem terminar, estar\u00e1 vencida. A Matriarca sentir-se-ia \u00e0 vontade para reinar, como sempre o fez, na \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d. Diante dessa percep\u00e7\u00e3o,&nbsp; o \u201cprofeta an\u00f4nimo\u201d acredita que o grande golpe da Matriarca sobre o esquema de esclarecimento, responsabiliza\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o deva acontecer entre festas natalinas e euforias carnavalescas. Caso acorra, toda expectativa de mudan\u00e7as na Casa da M\u00e3e Joana virar\u00e1 p\u00f3 de traque, sob o manto sagrado da deusa \u201cThemis\u201d. Enfim, a inc\u00f3gnita permanece. Atualmente, a Matriarca est\u00e1 em desvantagem. Mas, da\u00ed \u00e0 derrota, como diz o profeta an\u00f4nimo, \u201cquem viver, ver\u00e1\u201d! Rubens Galdino da Silva &#8211; Professor e jornalista (MTB\/SP 32.616)<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":""},"categories":[13,12],"tags":[26],"class_list":["post-387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas-jornal-assis","category-jornais","tag-casa-da-mae-joana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=387"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":394,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387\/revisions\/394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}