{"id":410,"date":"2024-08-25T07:35:59","date_gmt":"2024-08-25T10:35:59","guid":{"rendered":"https:\/\/rubens.jor.br\/?p=410"},"modified":"2024-08-27T04:58:17","modified_gmt":"2024-08-27T07:58:17","slug":"casa-da-mae-joana-tem-superbispo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/2024\/08\/25\/casa-da-mae-joana-tem-superbispo\/","title":{"rendered":"Casa da M\u00e3e Joana tem Superbispo"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 um velho e conhecido ditado popular que reza que \u201cRei morto\u201d, rei posto\u201d. Ali\u00e1s, Vin\u00edcius de Moraes usou esse ditado num de seus mais belos poemas, intitulado \u201cHora \u00cdntima\u201d. Quem nunca leu, vale a pena a leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>Os intelectuais costumam usar uma linguagem mais \u201csofisticada\u201d. Referem-se ao mencionado ditado com a cl\u00e1ssica frase: \u201ca l\u00f3gica do poder imp\u00f5e sucessor\u201d.&nbsp; Noutras palavras, o poder n\u00e3o vive sem sucessor, independentemente do perfil, se \u00e9 vermelho ou azul. Algu\u00e9m, imediatamente, vai ocupar o trono. Ele nunca fica vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Casa da M\u00e3e Joana, o Rei ainda est\u00e1 vivo. Claro, sem a Rainha, tem que se valer de outros recursos. Hoje, depois de quase um ano, a Matriarca perdeu o apoio do superpoder do Bispo. Ele, apesar de acumular v\u00e1rias acusa\u00e7\u00f5es, conseguiu \u201cmiraculosamente\u201d n\u00e3o ser importunado por ningu\u00e9m. Daqui para frente, vai ter suas articula\u00e7\u00f5es limitadas aos fi\u00e9is seguidores. Mas pode voltar com \u201cpompas e circunst\u00e2ncias\u201d desde que a Matriarca seja capaz de pensar jogadas inteligentes. \u00c9 bom lembrar que a Rainha ainda atua nos bastidores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A Casa da M\u00e3e Joana, apesar de poderosa, inevitavelmente vive num ambiente social. Est\u00e1 sujeita \u00e0s regras morais e legais. Os filhos dela t\u00eam vida social como todos, uns mais outros menos. Frequentam clubes, restaurantes, cafeterias, enfim, reuni\u00f5es sociais. Nesses eventos, h\u00e1 muitas chacotas. Algumas por desconhecimento. S\u00e3o daqueles que colocam todos os filhos no mesmo caldeir\u00e3o para fervura. H\u00e1, por\u00e9m sempre algu\u00e9m mais cuidadoso e racional, que questiona o caso. Isso acaba gerando muitos inc\u00f4modos e indigna\u00e7\u00e3o. Outros, t\u00e3o acostumados com o que veem, acabam num descredito total. Tornam-se c\u00e9ticos e, quase sempre, preferem nem mesmo comentar o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, numa mesa qualquer de truco, sempre h\u00e1 aquele que, de forma provocativa, pergunta: \u201c-como pode algu\u00e9m ter sobrevivido na fun\u00e7\u00e3o por quase um ano, tendo o peso de diversas acusa\u00e7\u00f5es sobre si mesmo?\u201d Depois de um sil\u00eancio, algu\u00e9m cauteloso se arrisca: \u201c-Faz quase um ano? Como o tempo passa r\u00e1pido. \u00c9, no m\u00ednimo, estranho.!!!\u201d Outro, depois de uma \u201cbirita\u201d, completa: \u201c-Eu n\u00e3o tinha pensado nisso, mas tudo \u00e9 poss\u00edvel. \u00c9 muito tempo, n\u00e9? Esse Bispo deve ser muito poderoso mesmo. Deve ter costas largas e quentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente, nessas reuni\u00f5es sempre tem algu\u00e9m metido a intelectual pronto para fazer o discurso refinado. A\u00ed desfere: \u201c-A corrup\u00e7\u00e3o, neste Pa\u00eds da Rep\u00fablica das Bananas, \u00e9 end\u00eamica e estrutural. Acontece desde o Brasil-Col\u00f4nia\u201d.&nbsp; Em seguida completa: \u201c-Herdamos uma pr\u00e1tica administrativa da coroa portuguesa chamada \u201cpatrimonialismo, que confunde interesses p\u00fablicos com os privados\u201d.&nbsp; Diante da ex\u00edmia explica\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m menos sofisticado, pergunta: \u201c-\u00c9 a tal da miseric\u00f3rdia franciscana de que \u00e9 dando \u00e9 que se recebe?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a Provincia fica em burburinhos. Com olhos atentos nas pedras do tabuleiro, provincianos mais interessados e curiosos ficam de prontid\u00e3o. Querem saber qual \u00e9 a jogada atualizada dos bastidores da disputa entre a Matriarca e seus filhos agregados, de prefer\u00eancia, saindo do forno. Mas a m\u00eddia local exagera na cautela. N\u00e3o se sabe bem o porqu\u00ea, mas \u00e9, no m\u00ednimo, preocupante. Costuma infantilizar. Transforma um direito do leitor ou ouvinte numa arma dela. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, a vida passa. A roda do tempo n\u00e3o perdoa. Hoje, o tempo \u00e9 a grande arma da Matriarca. Ela tem se beneficiado nesse jogo de xeques sem mate. Ainda conta com muitos pe\u00f5es, ajuda das torres e de um dos bispos. Todos protegem-na usando o jogo sentimental de discursos e influ\u00eancias. Agora a Matriarca est\u00e1 provisoriamente sem o superbispo e pode ficar isolado e exposto. Tudo depende da boa articula\u00e7\u00e3o dos filhos que almejam mudan\u00e7as. Assim, a prov\u00edncia continua entre decep\u00e7\u00f5es, esperan\u00e7as e, \u00e0s vezes, com o sentimento do \u201cDeus dar\u00e1\u201d. &nbsp;O jogo continua e as expectativas s\u00e3o grandes. Depois dessa, o Rei vai cair? Quem viver, ver\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rubens Galdino, Jornalista (MTB\/SP 32.616) e professor<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um velho e conhecido ditado popular que reza que \u201cRei morto\u201d, rei posto\u201d. Ali\u00e1s, Vin\u00edcius de Moraes usou esse ditado num de seus mais belos poemas, intitulado \u201cHora \u00cdntima\u201d. Quem nunca leu, vale a pena a leitura. Os intelectuais costumam usar uma linguagem mais \u201csofisticada\u201d. Referem-se ao mencionado ditado com a cl\u00e1ssica frase: \u201ca l\u00f3gica do poder imp\u00f5e sucessor\u201d.&nbsp; Noutras palavras, o poder n\u00e3o vive sem sucessor, independentemente do perfil, se \u00e9 vermelho ou azul. Algu\u00e9m, imediatamente, vai ocupar o trono. Ele nunca fica vazio. No caso da Casa da M\u00e3e Joana, o Rei ainda est\u00e1 vivo. Claro, sem a Rainha, tem que se valer de outros recursos. Hoje, depois de quase um ano, a Matriarca perdeu o apoio do superpoder do Bispo. Ele, apesar de acumular v\u00e1rias acusa\u00e7\u00f5es, conseguiu \u201cmiraculosamente\u201d n\u00e3o ser importunado por ningu\u00e9m. Daqui para frente, vai ter suas articula\u00e7\u00f5es limitadas aos fi\u00e9is seguidores. Mas pode voltar com \u201cpompas e circunst\u00e2ncias\u201d desde que a Matriarca seja capaz de pensar jogadas inteligentes. \u00c9 bom lembrar que a Rainha ainda atua nos bastidores. &nbsp;A Casa da M\u00e3e Joana, apesar de poderosa, inevitavelmente vive num ambiente social. Est\u00e1 sujeita \u00e0s regras morais e legais. Os filhos dela t\u00eam vida social como todos, uns mais outros menos. Frequentam clubes, restaurantes, cafeterias, enfim, reuni\u00f5es sociais. Nesses eventos, h\u00e1 muitas chacotas. Algumas por desconhecimento. S\u00e3o daqueles que colocam todos os filhos no mesmo caldeir\u00e3o para fervura. H\u00e1, por\u00e9m sempre algu\u00e9m mais cuidadoso e racional, que questiona o caso. Isso acaba gerando muitos inc\u00f4modos e indigna\u00e7\u00e3o. Outros, t\u00e3o acostumados com o que veem, acabam num descredito total. Tornam-se c\u00e9ticos e, quase sempre, preferem nem mesmo comentar o assunto. Por\u00e9m, numa mesa qualquer de truco, sempre h\u00e1 aquele que, de forma provocativa, pergunta: \u201c-como pode algu\u00e9m ter sobrevivido na fun\u00e7\u00e3o por quase um ano, tendo o peso de diversas acusa\u00e7\u00f5es sobre si mesmo?\u201d Depois de um sil\u00eancio, algu\u00e9m cauteloso se arrisca: \u201c-Faz quase um ano? Como o tempo passa r\u00e1pido. \u00c9, no m\u00ednimo, estranho.!!!\u201d Outro, depois de uma \u201cbirita\u201d, completa: \u201c-Eu n\u00e3o tinha pensado nisso, mas tudo \u00e9 poss\u00edvel. \u00c9 muito tempo, n\u00e9? Esse Bispo deve ser muito poderoso mesmo. Deve ter costas largas e quentes\u201d. Geralmente, nessas reuni\u00f5es sempre tem algu\u00e9m metido a intelectual pronto para fazer o discurso refinado. A\u00ed desfere: \u201c-A corrup\u00e7\u00e3o, neste Pa\u00eds da Rep\u00fablica das Bananas, \u00e9 end\u00eamica e estrutural. Acontece desde o Brasil-Col\u00f4nia\u201d.&nbsp; Em seguida completa: \u201c-Herdamos uma pr\u00e1tica administrativa da coroa portuguesa chamada \u201cpatrimonialismo, que confunde interesses p\u00fablicos com os privados\u201d.&nbsp; Diante da ex\u00edmia explica\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m menos sofisticado, pergunta: \u201c-\u00c9 a tal da miseric\u00f3rdia franciscana de que \u00e9 dando \u00e9 que se recebe?\u201d Assim, a Provincia fica em burburinhos. Com olhos atentos nas pedras do tabuleiro, provincianos mais interessados e curiosos ficam de prontid\u00e3o. Querem saber qual \u00e9 a jogada atualizada dos bastidores da disputa entre a Matriarca e seus filhos agregados, de prefer\u00eancia, saindo do forno. Mas a m\u00eddia local exagera na cautela. N\u00e3o se sabe bem o porqu\u00ea, mas \u00e9, no m\u00ednimo, preocupante. Costuma infantilizar. Transforma um direito do leitor ou ouvinte numa arma dela. &nbsp; Enfim, a vida passa. A roda do tempo n\u00e3o perdoa. Hoje, o tempo \u00e9 a grande arma da Matriarca. Ela tem se beneficiado nesse jogo de xeques sem mate. Ainda conta com muitos pe\u00f5es, ajuda das torres e de um dos bispos. Todos protegem-na usando o jogo sentimental de discursos e influ\u00eancias. Agora a Matriarca est\u00e1 provisoriamente sem o superbispo e pode ficar isolado e exposto. Tudo depende da boa articula\u00e7\u00e3o dos filhos que almejam mudan\u00e7as. Assim, a prov\u00edncia continua entre decep\u00e7\u00f5es, esperan\u00e7as e, \u00e0s vezes, com o sentimento do \u201cDeus dar\u00e1\u201d. &nbsp;O jogo continua e as expectativas s\u00e3o grandes. Depois dessa, o Rei vai cair? Quem viver, ver\u00e1! Rubens Galdino, Jornalista (MTB\/SP 32.616) e professor<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":""},"categories":[13,12,32],"tags":[26],"class_list":["post-410","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas-jornal-assis","category-jornais","category-recomendacoes","tag-casa-da-mae-joana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=410"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":411,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/410\/revisions\/411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}