{"id":412,"date":"2024-08-25T07:39:31","date_gmt":"2024-08-25T10:39:31","guid":{"rendered":"https:\/\/rubens.jor.br\/?p=412"},"modified":"2024-08-25T07:39:33","modified_gmt":"2024-08-25T10:39:33","slug":"casa-da-mae-joana-objeto-de-cobica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/2024\/08\/25\/casa-da-mae-joana-objeto-de-cobica\/","title":{"rendered":"&#8220;Casa da M\u00e3e Joana&#8221;, objeto de cobi\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>A ideia de algu\u00e9m capaz de viver sem cobi\u00e7a seria algo inimagin\u00e1vel. Seria o mesmo que eliminar o desejo da condi\u00e7\u00e3o humana. Outros seres viventes movem-se por instinto. Nada fazem sen\u00e3o aquilo que est\u00e1 biologicamente programado. No humano, o desejo \u00e9 um elemento essencialmente vinculado \u00e0s puls\u00f5es de vida e morte. Situa entre demandas fisiol\u00f3gicas e ps\u00edquicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a experi\u00eancia d\u00ea fortes ind\u00edcios, \u00e9 dif\u00edcil aceitar que mesmo o c\u00e3o domesticado age em fun\u00e7\u00e3o de desejos. Nesse sentindo, o desejo transcende \u00e0s necessidades b\u00e1sicas de viver. Como express\u00e3o da psiqu\u00ea, move-se do comportamento socialmente aceit\u00e1vel \u00e0s raias do absurdo.<\/p>\n\n\n\n<p>Atribui-se ao dramaturgo e poeta romano, P\u00fablio Ter\u00eancio Afro, a frase: &#8220;Nada do que \u00e9 humano me \u00e9 estranho&#8221;. Trata-se de uma frase intrigante, que faz de Cal\u00edgula a Hitler, no campo da moral e da \u00e9tica, qualquer atitude \u00e9 humanamente poss\u00edvel. Numa interpreta\u00e7\u00e3o extensiva, o ser humano \u00e9 capaz de praticar algo inimagin\u00e1vel. Est\u00e1 potencialmente apto a qualquer ator de terror e horror. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para dom\u00e1-lo, criamos instrumentos repressivos e punitivos, que no rastro das narrativas religiosas e moralistas procuram tornar a conviv\u00eancia humana poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Basicamente, h\u00e1 duas teorias que tentam iluminar nossa compreens\u00e3o humana. A primeira \u00e9 a de Hobbes, que concebe o ser humano como essencialmente ego\u00edsta. Portanto, nasce mau e desatinado, se necess\u00e1rio, a toda pr\u00e1tica de maldade para satisfazer a sua vontade de poder. A maldade seria cong\u00eanita, incur\u00e1vel. &nbsp;Assim, somente a certeza da cruel puni\u00e7\u00e3o poderia, em tese, remediar o ego\u00edsmo desenfreado.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda \u00e9 a de Rousseau, que, numa perspectiva rom\u00e2ntica, afirma que o homem nasce bom e a sociedade corrompe. Desse modo, a bondade seria a ess\u00eancia da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana. A maldade seria nega\u00e7\u00e3o dela, motivada pelas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que tenho muita dificuldade de me situar nesse debate. Ora, vejo que Hobbes est\u00e1 coberto de raz\u00e3o; ora, Rousseau. De qualquer modo, s\u00e3o quest\u00f5es de dif\u00edcil contorno. Mas, quando o assunto \u00e9 \u201cpol\u00edtica e poder\u201d, dificilmente consigo olhar com \u00f3culos de Rousseau. Quando acontece, logo me deparo com a decep\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma decep\u00e7\u00e3o comigo mesmo por ter ca\u00eddo nas armadilhas discursivas do objeto do meu desejo.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia tem me ensinado que Hobbes \u00e9 mais recomend\u00e1vel para conviver com o mundo da \u201cpol\u00edtica e do poder\u201d. Pelo menos, n\u00e3o me decepciona tanto nem me sinto tra\u00eddo pelo meu pr\u00f3prio desejo. Ali\u00e1s, bem antes de Hobbes, o Profeta Jeremias afirmou: \u201cAssim diz o Senhor: -Maldito \u00e9 o homem que confia nos homens\u201d (Jeremias 17:5).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, esperar de pol\u00edticos, plantonistas no exerc\u00edcio Poder, conduta pr\u00f3-ativa em benef\u00edcio da sociedade beira \u00e0 ingenuidade. Quase sempre, se movem pela cobi\u00e7a daquilo que pode agregar valores aos seus interesses particulares e de grupos. Quando h\u00e1 um gesto favor\u00e1vel \u00e0 sociedade, quase sempre, \u00e9 motivado por outros interesses. A sociedade costuma ficar com aas migalhas que caem \u00e0 mesa do Trono.<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, falando em Trono, tudo indica que a Matriarca est\u00e1 toda articulada para virar o jogo. J\u00e1 conseguiu, no tabuleiro do Xadrez na \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d, &nbsp;transformar um pe\u00e3o em Rainha. Agora est\u00e1 se preparando para reconquistar o Bispo, o Cavalo e a Torre. Ela aposta piamente que, at\u00e9 o final do ano, consiga recuperar plenamente a menina dos olhos de seu desejo: \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d. \u00c9 como se fosse uma vaca leiteira, bem nutrida, apta para amentar os filhotes do Poder.&nbsp; Servi\u00e7ais para isso n\u00e3o faltam. Trata-se de uma cobi\u00e7a que persegue implacavelmente a mente da Matriarca.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, a expectativa da Bandeira Sagrada, que se consiste numa Casa da M\u00e3e Joana livre dos tent\u00e1culos dos plantonista do poder, poder virar cinzas do tempo. \u201cQuem viver, ver\u00e1\u201d, assim diz o profeta an\u00f4nimo. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rubens Galdino da Silva &#8211; Jornalista (MTB\/SP 32.616) e professor<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de algu\u00e9m capaz de viver sem cobi\u00e7a seria algo inimagin\u00e1vel. Seria o mesmo que eliminar o desejo da condi\u00e7\u00e3o humana. Outros seres viventes movem-se por instinto. Nada fazem sen\u00e3o aquilo que est\u00e1 biologicamente programado. No humano, o desejo \u00e9 um elemento essencialmente vinculado \u00e0s puls\u00f5es de vida e morte. Situa entre demandas fisiol\u00f3gicas e ps\u00edquicas. Embora a experi\u00eancia d\u00ea fortes ind\u00edcios, \u00e9 dif\u00edcil aceitar que mesmo o c\u00e3o domesticado age em fun\u00e7\u00e3o de desejos. Nesse sentindo, o desejo transcende \u00e0s necessidades b\u00e1sicas de viver. Como express\u00e3o da psiqu\u00ea, move-se do comportamento socialmente aceit\u00e1vel \u00e0s raias do absurdo. Atribui-se ao dramaturgo e poeta romano, P\u00fablio Ter\u00eancio Afro, a frase: &#8220;Nada do que \u00e9 humano me \u00e9 estranho&#8221;. Trata-se de uma frase intrigante, que faz de Cal\u00edgula a Hitler, no campo da moral e da \u00e9tica, qualquer atitude \u00e9 humanamente poss\u00edvel. Numa interpreta\u00e7\u00e3o extensiva, o ser humano \u00e9 capaz de praticar algo inimagin\u00e1vel. Est\u00e1 potencialmente apto a qualquer ator de terror e horror. &nbsp; Para dom\u00e1-lo, criamos instrumentos repressivos e punitivos, que no rastro das narrativas religiosas e moralistas procuram tornar a conviv\u00eancia humana poss\u00edvel. Basicamente, h\u00e1 duas teorias que tentam iluminar nossa compreens\u00e3o humana. A primeira \u00e9 a de Hobbes, que concebe o ser humano como essencialmente ego\u00edsta. Portanto, nasce mau e desatinado, se necess\u00e1rio, a toda pr\u00e1tica de maldade para satisfazer a sua vontade de poder. A maldade seria cong\u00eanita, incur\u00e1vel. &nbsp;Assim, somente a certeza da cruel puni\u00e7\u00e3o poderia, em tese, remediar o ego\u00edsmo desenfreado. A segunda \u00e9 a de Rousseau, que, numa perspectiva rom\u00e2ntica, afirma que o homem nasce bom e a sociedade corrompe. Desse modo, a bondade seria a ess\u00eancia da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana. A maldade seria nega\u00e7\u00e3o dela, motivada pelas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e sociais. Confesso que tenho muita dificuldade de me situar nesse debate. Ora, vejo que Hobbes est\u00e1 coberto de raz\u00e3o; ora, Rousseau. De qualquer modo, s\u00e3o quest\u00f5es de dif\u00edcil contorno. Mas, quando o assunto \u00e9 \u201cpol\u00edtica e poder\u201d, dificilmente consigo olhar com \u00f3culos de Rousseau. Quando acontece, logo me deparo com a decep\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma decep\u00e7\u00e3o comigo mesmo por ter ca\u00eddo nas armadilhas discursivas do objeto do meu desejo. A experi\u00eancia tem me ensinado que Hobbes \u00e9 mais recomend\u00e1vel para conviver com o mundo da \u201cpol\u00edtica e do poder\u201d. Pelo menos, n\u00e3o me decepciona tanto nem me sinto tra\u00eddo pelo meu pr\u00f3prio desejo. Ali\u00e1s, bem antes de Hobbes, o Profeta Jeremias afirmou: \u201cAssim diz o Senhor: -Maldito \u00e9 o homem que confia nos homens\u201d (Jeremias 17:5). Assim, esperar de pol\u00edticos, plantonistas no exerc\u00edcio Poder, conduta pr\u00f3-ativa em benef\u00edcio da sociedade beira \u00e0 ingenuidade. Quase sempre, se movem pela cobi\u00e7a daquilo que pode agregar valores aos seus interesses particulares e de grupos. Quando h\u00e1 um gesto favor\u00e1vel \u00e0 sociedade, quase sempre, \u00e9 motivado por outros interesses. A sociedade costuma ficar com aas migalhas que caem \u00e0 mesa do Trono. Ah, falando em Trono, tudo indica que a Matriarca est\u00e1 toda articulada para virar o jogo. J\u00e1 conseguiu, no tabuleiro do Xadrez na \u201cCasa da M\u00e3e Joana\u201d, &nbsp;transformar um pe\u00e3o em Rainha. Agora est\u00e1 se preparando para reconquistar o Bispo, o Cavalo e a Torre. 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Enfim, a expectativa da Bandeira Sagrada, que se consiste numa Casa da M\u00e3e Joana livre dos tent\u00e1culos dos plantonista do poder, poder virar cinzas do tempo. \u201cQuem viver, ver\u00e1\u201d, assim diz o profeta an\u00f4nimo. \u00a0 Rubens Galdino da Silva &#8211; Jornalista (MTB\/SP 32.616) e professor.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":""},"categories":[13,12],"tags":[26],"class_list":["post-412","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas-jornal-assis","category-jornais","tag-casa-da-mae-joana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=412"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":413,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412\/revisions\/413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}