{"id":414,"date":"2024-08-25T07:41:16","date_gmt":"2024-08-25T10:41:16","guid":{"rendered":"https:\/\/rubens.jor.br\/?p=414"},"modified":"2024-08-25T07:41:19","modified_gmt":"2024-08-25T10:41:19","slug":"casa-da-mae-joana-e-novos-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/2024\/08\/25\/casa-da-mae-joana-e-novos-tempos\/","title":{"rendered":"Casa da M\u00e3e Joana e novos tempos"},"content":{"rendered":"\n<p>A casa da M\u00e3e Joana \u00e9 uma casa muito engra\u00e7ada. Tem de tudo. A fam\u00edlia da Matriarca \u00e9 diversificada. N\u00e3o \u00e9 de rela\u00e7\u00e3o consangu\u00ednea. A Matriarca \u00e9 uma balzaquiana est\u00e9ril, que adota filhos de acordo com as conveni\u00eancias e necessidades. Pode-se dizer que \u00e9 uma fam\u00edlia de agregados.<\/p>\n\n\n\n<p>O curioso \u00e9 que, de vez em quando, h\u00e1 conflitos entre os filhos. Os mais achegados da m\u00e3e balzaquiana costumam se valer do posto e exagerar nos privil\u00e9gios. Claro que n\u00e3o s\u00e3o todos. Esta hist\u00f3ria \u00e9 longa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ser uma fam\u00edlia de agregados, escolhidos a dedo, a Matriarca recruta os mais influentes no meio social. Geralmente, s\u00e3o aqueles que gozam de prest\u00edgio. Ocupam cargos considerados estrat\u00e9gicos na sociedade. Mas esse perfil n\u00e3o basta \u00e0 Matriarca. Usa-se, na escolha, algo mais. Ela sabe que subordinado precisa ser vocacionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Almas questionadoras, por mais inteligentes que sejam, n\u00e3o \u00e9 uma boa escolha. N\u00e3o costumam ser servi\u00e7ais. S\u00e3o candidatas natas \u00e0 rebeldia. N\u00e3o s\u00e3o nada domestic\u00e1veis. Os domestic\u00e1veis gostam de ra\u00e7\u00e3o de qualidade e, quase sempre, locupletam-se. A obesidade logo se escancara denunciando o apetite de seus corpos e mentes.<\/p>\n\n\n\n<p>De um tempo pra c\u00e1, os exageros tornaram-se muito escancarados. Ganhou espa\u00e7o na m\u00eddia e redes sociais. Claro, tudo isso ocorreu a contragosto dos filhos seletos da Matriarca. Talvez tenham exagerados tanto nos privil\u00e9gios e seus apetrechos, que o esquema de intimida\u00e7\u00e3o e coopta\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu conter o grito abafado de socorro. Encurralados pelas amea\u00e7as, restavam-lhes os sussurros.<\/p>\n\n\n\n<p>Os peritos, na pr\u00e1tica das amea\u00e7as, costumam se valer do manto sagrado das institui\u00e7\u00f5es basilares da cidadania. O discurso do Poder costuma ter eco sedutor.&nbsp; Em nome da ordem e progresso, buscam-se resultados. Nesse contexto, vale a formula de que os \u201cfins justificam os maus\u201d. Sabem bem fazer uso dessa li\u00e7\u00e3o de Maquiavel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, como a Matriarca perdeu a rainha, pedra angular do rei no jogo de Xadrez, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1, paulatinamente, se complicando. A cabe\u00e7a de um dos bispos est\u00e1 a pr\u00eamio. A sobreviv\u00eancia dela depende da uma sacada de mestre da Matriarca. Est\u00e1 dif\u00edcil acontecer, mas n\u00e3o se pode descartar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se antes os trunfos estavam nas m\u00e3os dela, hoje, est\u00e3o com os filhos exclu\u00eddos de seus afetos, estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas. Resta \u00e0 Matriarca contar com um cochilo deles. Como ensina um s\u00e1bio ditado popular: \u201cUma boa pitada de mod\u00e9stia no agir e no portar-se \u00e9 como canja de galinha, n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, como bem ensina a arte do Xadrez: o jogo s\u00f3 termina quando o vitorioso pega, sem pedir licen\u00e7a, o rei (pedra) do advers\u00e1rio, com aquele sorriso educado, elegante e ir\u00f4nico, vagarosamente o declina sobre o tabuleiro. Quem viver, ver\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rubens Galdino da Silva &#8211; Jornalista (MTB\/SP 32.616) e professor<\/strong>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A casa da M\u00e3e Joana \u00e9 uma casa muito engra\u00e7ada. Tem de tudo. A fam\u00edlia da Matriarca \u00e9 diversificada. N\u00e3o \u00e9 de rela\u00e7\u00e3o consangu\u00ednea. A Matriarca \u00e9 uma balzaquiana est\u00e9ril, que adota filhos de acordo com as conveni\u00eancias e necessidades. Pode-se dizer que \u00e9 uma fam\u00edlia de agregados. O curioso \u00e9 que, de vez em quando, h\u00e1 conflitos entre os filhos. Os mais achegados da m\u00e3e balzaquiana costumam se valer do posto e exagerar nos privil\u00e9gios. Claro que n\u00e3o s\u00e3o todos. Esta hist\u00f3ria \u00e9 longa. Por ser uma fam\u00edlia de agregados, escolhidos a dedo, a Matriarca recruta os mais influentes no meio social. Geralmente, s\u00e3o aqueles que gozam de prest\u00edgio. Ocupam cargos considerados estrat\u00e9gicos na sociedade. Mas esse perfil n\u00e3o basta \u00e0 Matriarca. Usa-se, na escolha, algo mais. Ela sabe que subordinado precisa ser vocacionado. Almas questionadoras, por mais inteligentes que sejam, n\u00e3o \u00e9 uma boa escolha. N\u00e3o costumam ser servi\u00e7ais. S\u00e3o candidatas natas \u00e0 rebeldia. N\u00e3o s\u00e3o nada domestic\u00e1veis. Os domestic\u00e1veis gostam de ra\u00e7\u00e3o de qualidade e, quase sempre, locupletam-se. A obesidade logo se escancara denunciando o apetite de seus corpos e mentes. De um tempo pra c\u00e1, os exageros tornaram-se muito escancarados. Ganhou espa\u00e7o na m\u00eddia e redes sociais. Claro, tudo isso ocorreu a contragosto dos filhos seletos da Matriarca. Talvez tenham exagerados tanto nos privil\u00e9gios e seus apetrechos, que o esquema de intimida\u00e7\u00e3o e coopta\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu conter o grito abafado de socorro. Encurralados pelas amea\u00e7as, restavam-lhes os sussurros. Os peritos, na pr\u00e1tica das amea\u00e7as, costumam se valer do manto sagrado das institui\u00e7\u00f5es basilares da cidadania. O discurso do Poder costuma ter eco sedutor.&nbsp; Em nome da ordem e progresso, buscam-se resultados. Nesse contexto, vale a formula de que os \u201cfins justificam os maus\u201d. Sabem bem fazer uso dessa li\u00e7\u00e3o de Maquiavel. Por outro lado, como a Matriarca perdeu a rainha, pedra angular do rei no jogo de Xadrez, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1, paulatinamente, se complicando. A cabe\u00e7a de um dos bispos est\u00e1 a pr\u00eamio. A sobreviv\u00eancia dela depende da uma sacada de mestre da Matriarca. Est\u00e1 dif\u00edcil acontecer, mas n\u00e3o se pode descartar. Se antes os trunfos estavam nas m\u00e3os dela, hoje, est\u00e3o com os filhos exclu\u00eddos de seus afetos, estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas. Resta \u00e0 Matriarca contar com um cochilo deles. Como ensina um s\u00e1bio ditado popular: \u201cUma boa pitada de mod\u00e9stia no agir e no portar-se \u00e9 como canja de galinha, n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m\u201d. Enfim, como bem ensina a arte do Xadrez: o jogo s\u00f3 termina quando o vitorioso pega, sem pedir licen\u00e7a, o rei (pedra) do advers\u00e1rio, com aquele sorriso educado, elegante e ir\u00f4nico, vagarosamente o declina sobre o tabuleiro. Quem viver, ver\u00e1! Rubens Galdino da Silva &#8211; Jornalista (MTB\/SP 32.616) e professor\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":""},"categories":[13,12],"tags":[26],"class_list":["post-414","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas-jornal-assis","category-jornais","tag-casa-da-mae-joana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=414"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/414\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":415,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/414\/revisions\/415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rubens.jor.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}